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13.9.13

Existe amor em SP

Sem fone de ouvido e sem livro pra ler, eu gosto de ficar reparando nas pessoas nas ruas e nos transportes públicos. Acho interessante imaginar as histórias, as rotinas. Tem pessoas que encontro sempre pelos onibus e metros e as cumprimento, algumas até troco palavras e alguns minutos de conversa, mas não faço nem ideia do que realmente se passa naquela vida, qual é o peso ou a leveza do seu dia a dia.

Ontem no ônibus indo para a faculdade, um homem, entre seus 30 e 40 anos, ao tentar passar a catraca não tinha saldo no bilhete unico. Remexeu a mochila inteira, colocou-a do avesso e só encontrou 2 reais. Uma das mulheres sentada, com seu fone de ouvido, viu a cena e ofereceu o restante para completar o valor da passagem. Ele perguntou se não faria falta, aceitou e agradeceu incontáveis vezes. A mulher que deu o dinheiro nem ao menos sorriu ou levantou os olhos, ficou ouvindo a musica com expressão séria e fechada, mas não pensou duas vezes e ajudou.

Por 3 ou 4 vezes já fiz o percurso à caminho do trabalho ou de casa chorando em silêncio por algum momento que não pude reprimir. E em TODAS as vezes alguém veio e me ofereceu ou lenço, ou água ou alguma palavra de conforto. Me senti cuidada por pessoas que eu nunca mais vi, e que sinceramente e infelizmente, não lembro ao menos os seus rostos.

Uma das vezes a mulher chorou comigo, pois estava com problemas na sua vida também. Ela segurou minha mão e tentava me alentar mesmo precisando do mesmo. Eu retribui o gesto, mas queria ter feito mais.

Uma outra vez a mulher me deu água e perguntou durante todo o percurso se eu estava bem. Ela era a cobradora do ônibus e a unica da qual eu lembro as feições. Outro dia no ônibus em que ela estava trabalhando acabei ouvindo ela no celular contando à uma amiga sobre as dificuldades na sua casa. Tive vontade de chorar por ela, mas dei um docinho que tinha na mochila para ver se a alegrava, ela sorriu e me agradeceu. Senti que foi pouco, mas fiquei grata de poder retribuir.

Já vi outras diversas situações de carinho e apoio à desconhecidos. Pessoas que te confortam e sem ao menos sabermos estão em situações muito piores. E eu sei que a maioria das pessoas não fazem isso, mas eu acredito em pelo menos 1% que faça. E se esse 1% me mudou, quantas pessoas não se transformam com pequenas coisas como essas?

Me desculpe o Criolo e quem concorda com ele, mas existe amor em SP sim. Eu já vi.

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