Sem fone de ouvido e sem livro pra ler, eu gosto de ficar reparando nas pessoas nas ruas e nos transportes públicos. Acho interessante imaginar as histórias, as rotinas. Tem pessoas que encontro sempre pelos onibus e metros e as cumprimento, algumas até troco palavras e alguns minutos de conversa, mas não faço nem ideia do que realmente se passa naquela vida, qual é o peso ou a leveza do seu dia a dia.
Ontem no ônibus indo para a faculdade, um homem, entre seus 30 e 40 anos, ao tentar passar a catraca não tinha saldo no bilhete unico. Remexeu a mochila inteira, colocou-a do avesso e só encontrou 2 reais. Uma das mulheres sentada, com seu fone de ouvido, viu a cena e ofereceu o restante para completar o valor da passagem. Ele perguntou se não faria falta, aceitou e agradeceu incontáveis vezes. A mulher que deu o dinheiro nem ao menos sorriu ou levantou os olhos, ficou ouvindo a musica com expressão séria e fechada, mas não pensou duas vezes e ajudou.
Por 3 ou 4 vezes já fiz o percurso à caminho do trabalho ou de casa chorando em silêncio por algum momento que não pude reprimir. E em TODAS as vezes alguém veio e me ofereceu ou lenço, ou água ou alguma palavra de conforto. Me senti cuidada por pessoas que eu nunca mais vi, e que sinceramente e infelizmente, não lembro ao menos os seus rostos.
Uma das vezes a mulher chorou comigo, pois estava com problemas na sua vida também. Ela segurou minha mão e tentava me alentar mesmo precisando do mesmo. Eu retribui o gesto, mas queria ter feito mais.
Uma outra vez a mulher me deu água e perguntou durante todo o percurso se eu estava bem. Ela era a cobradora do ônibus e a unica da qual eu lembro as feições. Outro dia no ônibus em que ela estava trabalhando acabei ouvindo ela no celular contando à uma amiga sobre as dificuldades na sua casa. Tive vontade de chorar por ela, mas dei um docinho que tinha na mochila para ver se a alegrava, ela sorriu e me agradeceu. Senti que foi pouco, mas fiquei grata de poder retribuir.
Já vi outras diversas situações de carinho e apoio à desconhecidos. Pessoas que te confortam e sem ao menos sabermos estão em situações muito piores. E eu sei que a maioria das pessoas não fazem isso, mas eu acredito em pelo menos 1% que faça. E se esse 1% me mudou, quantas pessoas não se transformam com pequenas coisas como essas?
Me desculpe o Criolo e quem concorda com ele, mas existe amor em SP sim. Eu já vi.
13.9.13
Existe amor em SP
9.9.13
E se...?
Nesse final de semana, com amigos queridos, na casa de uma família muito querida, discutimos sobre a vida. Assim como a maioria das pessoas, uma das minhas melhores amigas, acha que devemos nos formar em uma profissão que dê dinheiro, ter conforto e sucesso pra dar o melhor possível aos filhos. Eu respeito o ponto de vista, mas não entendo.
Ser feliz fora do trabalho, ganhar um salário melhor por ter pessoas que ganham mais que você e sempre subir mais. E se eu não quiser ser do alto calão?
Vejo na empresa que trabalho atualmente pessoas que chegam as 07h e vão embora às 21h, isso significa levantar as 5h e chegar em casa as 22h30, o que totaliza 17 horas do dia. Considerando que o ideal é dormir 8 horas por dia, a qualidade de vida ja não é tão alta se quando voltamos pra casa restam apenas 6. Não são todos os dias que são assim, mas quantos são piores?
E quando eu vou ter tempo pra viver meus sonhos? Quando eu vou ter orgulho de contar o que eu faço?
Eu vi meu tio trabalhar a vida toda com o que não gostava, economizar todo dinheiro que podia e morrer sem ter aproveitado. Vi minha mãe, a mulher mais forte que conheci, abrir mão de tudo pelos filhos, acreditar que o tempo de fazer o que gostava já tinha passado e morreu sem ter realizado o que sonhou, toda a capacidade, potencial e talento que ela tinha foi desperdiçado, e pra quê? A gente não pode viver a vida dela, nem continuar o que ela almejou, porque ao acreditar que nada podia fazer, ela nem sequer iniciou...
Tenho medo de pensar que um dia, numa certa idade, eu fique pensando em todos os "e se...?" que eu teria se tivesse feito diferente.
Quero um dia, se eu não conseguir chegar lá, que ao menos eu possa dizer que eu tentei. Que eu dê ao meus filhos a oportunidade de sonhar também porque pra mim não há nada mais triste do que já nascer sem sonhos.
Peço um dia pra que caso a minha luta seja o suficiente pra conseguir o que tanto quero, que sirva de incentivo para que outros também pelejem, para que outros também ganhem a guerra e para que continuem influenciando os outros a serem felizes a partir do que querem, e não daquilo que nos impõem.
E, finalmente, depois de tantos quereres, desejo que minha melhor amiga, e que aqueles que pensam como ela, que consigam o que querem também, porque todos tem o direito de serem felizes como sonham, sem que a gente fale que eles estão errados, como muitos falam pra nós.
6.9.13
#refrão da fome
fome que a comida não sacia.
de chegar aonde eu quero.
não é sede, não gosto do que pode escorrer por entre os meus dedos.
eu gosto do controle.
do alimento que supre as necessidades fisiológicas da mente
é mais do que vegetais que fazem bem para a saúde.
fome de crer.
refrão que não sai da minha cabeça.
trilha sonora da vida.
o silencio é acorde.
pedras no caminho, delay.
sinto fome.
o tempo todo.
14.8.13
26.9.12
24horas.
E bate uma vontade de ir pra longe
Passar um mês ou um ano
Conhecer uma nova cultura, outro plano.
Tem dia que a gente acha que pode fugir da realidade,
mas o que é real tá aqui, estampado no rosto,
na mente de quem não consegue mentir pra si mesmo.
Eu não queria fugir, eu só queria ir embora um pouquinho.
Fazer diferença, ser diferente.
A gente olha pro outro e a vida dele parece tão fácil,
e eu não quero ser fútil, nem ser inútil.
Quando tá ruim e parece que não tem jeito, o jeito é agradecer.


